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Nódulos de
Heberden
Por: Dr. Swami José Guimarães
Denominam-se
nódulos de Heberden as
osteoartrites (artroses) das
interfalangeanas distais das mãos,
isto é das articulações entre as
últimas falanges e as falanges
médias de dedos. A osteoartrite
(artrose) é um processo
degenerativo da articulação, que
ocorre prima-riamente devido ao
desgaste da cartilagem articular,
ou hialina. Para compensar a perda
do tecido cartilaginoso, há
neoformação óssea nas porções
laterais da superfície articular,
dando origem às proeminências
ósseas, já que a cartilagem
hialina é um tecido que não
regenera - o organismo sempre
tende a recompor a perda tecidual,
daí a cicatrização de uma ferida.
O processo também se acompanha de
eburnização óssea subcondral (o
osso se torna mais compacto nas
porções abaixo da cartilagem),
formação de cistos ósseos,
desalinhamento articular e
sinovite (inflamação da membrana
sinovial). Isto se dá em
conseqüência ao aparecimento
externo de nódulos, desalinhamento
e dor devida ao processo
inflamatório.
Os nódulos de Herberden são as
formas mais comuns de osteoartrite
(artrose). Raramente são únicos -
somente acontecem quando têm
origem traumática; geralmente são
múltiplos e bilaterais. O segundo
e o quinto dedos são os mais
precoces e freqüentemente
atingidos. A sua incidência
aumenta na razão direta da idade.
São mais freqüentes nas mulheres
que nos homens. São raros antes
dos 40 anos; a maioria após os 45
anos.
A hereditariedade é um fator
importante no surgimento dos
nódulos de Heberden,
principalmente entre as mulheres
(é comum se encontrar mãe, filha e
irmã com a doença).
A maioria dos nódulos de Heberden
tem origem idiopática (de causa
desconhecida); poucas vezes podem
ser atribuídos a pequenos traumas
repetidos de origem profissional,
como: datilógrafos, pianistas,
seladeiras; ou a macrotraumas:
goleiro de futebol, jogador de
baseball e praticante de boliche.
Os nódulos de Heberden podem estar
associados a osteoartrite
(artrose) generalizada
(acometimento de mãos, coluna,
joelhos, etc.). Também podem fazer
parte da osteoartrite (artrose)
erosiva das mãos, que é uma forma
degenerativa articular com
exuberantes sinais inflamatórios.
Muitas vezes os nódulos de
Heberden aparecem e se desenvolvem
com pouco sintoma, mas a regra é
que sejam muito dolorosos,
evoluindo de forma lenta e só
raramente de maneira mais aguda.
Não são raros os sinais
inflamatórios importantes, que
eventualmente podem depender da
deposição de cristais de urato,
constituindo a artrite gotosa na
osteoartrite nodal (que forma
nódulos). Às vezes são notadas
protusões cisticas nos nódulos,
contendo grande quantidade de
ácido hialurônico (que dá
viscosidade ao líquido sinovial).
Quando definitivamente formados os
nódulos tornam-se indolores ou
somente esporadicamente dolorosos.
Apesar da dor não há perda da
função da mão, a não ser que haja
associação com nódulos de Bouchard,
quando pode haver algum
comprometimento da função.
Mãos
com Nódulos de Heberden
As osteoartrites (artroses) das
interfalangeanas proximais
(articulações entre as falanges
médias e falanges proximais) são
denominadas nódulos de Bouchard, e
podem ocorrer junto com os nódulos
de Heberden, porém, raramente o
precedem. A osteoartrite (artrose)
entre o trapézio e o primeiro
metacarpo é denominada rizartrose
e também é mais comum na mulher.
O tratamento dos nódulos
de Heberden deve constar:
1) Tranquilizar o paciente, que
geralmente está muito ansioso
quanto ao prognóstico, no sentido
de deixar claro que os nódulos de
Heberden não terão evolução para
perda de função das mãos, e que o
processo doloroso no decorrer do
tempo irá desaparecer ou diminuir,
mesmo sem tratamento, embora o
aspecto externo não sofrerá
modificação;
2) É importante informar que os
nódulos de Heberden não têm
nenhuma relação com a artrite
reumatóide;
3) Medidas fisioterápicas;
4) Medicamentos antiinflamatórios
não esteróides;
5) Medicamentos antiartrósicos de
ação lenta;
6) Medicamentos condroprotetores.
Referências bibliográficas:
1) Hilton Seda: Clínica das
Artroses; em Reumatologia 2a
edição - Editora Cultura Médica;
1982: pags 1164 a 1169
2) Hilton Seda e Antonio Carlos
Seda: Osteoartrite; em
Reumatologia Diagnóstico e
Tratamento 2a Edição - MEDSI -
Editora Médica e Científica Ltda.;
2001:pags 294 a 295.
3) Hilton Seda e Antonio Carlos
Seda: Osteoartrose - III Clínica e
Terapêutica; em Reumatologia -
Lidel; 2002: pags 96 e 97
4) Juan J. Canoso: Osteoarthritis;
em Rheumatology - WB. Sunders
Company, 1997: pags 176 a 178
www.gruparj.org.br –
02/09/2004
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